quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pobres homens tristes


Tenho pena daqueles que julgam
o meu amor ousado
despudorado
daqueles que não pulsam
e que não conseguem suar
e sentir o cheiro
e o gosto do gozo
depois de amar
tenho pena dos que não pecam
tementes
dementes
e não se entregam
tenho pena dos que vivem
pedindo perdão
por sentir tesão
e passam pela vida
sem ter que curar
uma ferida
sem ter na carne
uma cicatriz
sem ter um dia
escapado por um triz

Pobres homens tristes
que fizeram tudo certinho
mas não foram felizes

(Mara Mangorra)




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