sábado, 29 de agosto de 2009

Escavação


Escavo-me todo dia
tentando me encontrar

ora acho ouro,
ora acho trapo.

Nesse embaraço
acho diamante bruto,
mas procuro o lapidado

Cristais, pedras preciosas
Acontece...

Mas sempre me deparo
com escombros, caquinhos
resíduos do que já foi
Nessa procura de mim mesmo
ora me encontro,
ora me perco...

- Elizandra Souza -

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ás vezes tenho medo ...

Ás vezes tenho medo ...
Medo de olhar e enxergar
Medo de sentir e gritar
Medo de escorregar e cair na lama
Medo de viver e morrer

Fico paralisado por algum tempo...

Esqueço que na vida nada é certo ou errado
Que tudo pode ser ou não
Que não há garantias
E tudo depende das minhas escolhas

Esqueço que meus olhos são estrelas
Que meus cabelos são os ventos das tempestades
E das pequenas asas nos meus pés

Esqueço que existe um vulcão dentro do meu coração
E que o sol brilha em meu peito
Intensificando a emoção
E clareando a razão

Só peço força para ser o que sou.
Força para seguir meu caminho sem medo
E ser feliz.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

" Desconfiança... "


Que vale a vida afinal
quando chegamos a este ponto?
Deixou de ser romance:
é crônica banal
ou conto.

Vale a pena seguir ?
Sem aquele entusiasmo
aquelas ânsias,
sem aquela força de querer,
só para continuar, e se repetir...
( mais pelo hábito da vida
que pela alegria de viver ?)

Vale a pena continuar ?
Ou é melhor fugir ( fugir ou parar
que são formas diferentes de morrer...)

Já de nada me espanto,
talvez seja tudo paradoxal
mas começo a desconfiar que está chegando esse momento
extraordinário,
em que devo me recolher para ouvir o canto
de meu coração solitário...
JG de Araujo Jorge

domingo, 2 de agosto de 2009

Acordar, viver ...


Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia
seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas
ásperas
de amanhã com as coisas
de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade